Virtualmente eleito para a presidência da Câmara Federal no biênio 2025-2026, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) conta com amplo apoio político, fruto de acordos com mais de dez partidos e da desistência de outros candidatos. No entanto, aliados de Arthur Lira (PP-AL), atual presidente da Casa, articulam para que Motta tenha “dois votos a menos” do que Lira, que detém o recorde histórico de 464 votos obtidos em 2023.
A movimentação visa evitar que o desempenho de Motta na eleição supere o recorde de Lira, garantindo que o “criador” mantenha sua posição de destaque frente à “criatura”. Interlocutores próximos ao deputado do Republicanos admitem que ele deve receber uma votação alta, mas abaixo do marco histórico, para evitar possíveis “ciúmes” no padrinho político.
Comparativo com Outras Presidências
Arthur Lira segue como o presidente mais votado da história da Câmara. Outros nomes de destaque foram Ibsen Pinheiro (434 votos em 1991), João Paulo Cunha (434 votos em 2003) e Michel Temer (422 votos em 1999). Hugo Motta, caso confirmada a estratégia, deve alcançar um número próximo, mas deliberadamente inferior ao de Lira.
Adesões e Articulações Políticas
Com apoio maciço na Câmara, apenas PSOL e Novo ainda não formalizaram adesão à candidatura de Hugo Motta. Em uma reunião realizada nesta terça-feira (3), 17 dos 22 deputados federais cearenses oficializaram apoio ao parlamentar do Republicanos.
Segundo o líder da bancada cearense, Moses Rodrigues (União), o grupo discutiu iniciativas para o desenvolvimento regional e reforçou a necessidade de fortalecer a atuação do Legislativo. “Nosso objetivo é garantir que a Câmara continue sendo um espaço democrático e representativo, promovendo avanços significativos em políticas públicas”, declarou Rodrigues.
Desafios Orçamentários e Políticos
Embora conte com um ambiente favorável, Motta também enfrenta desafios relacionados à agenda econômica e ao bloqueio orçamentário. Ele afirmou que, apesar de não haver condicionamento formal entre a aprovação do Orçamento e decisões do STF sobre emendas parlamentares, o clima na Casa é de urgência.
“Estamos com quase cinco meses de Orçamento travado. É importante que esse tema seja resolvido o quanto antes, pois ele afeta diretamente a execução da agenda orçamentária como um todo”, destacou Motta.
Com a eleição marcada para o início de 2025, Hugo Motta segue articulando sua campanha, conciliando interesses regionais e questões nacionais para consolidar sua liderança na Câmara.
