O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), afirmou que a política partidária no Brasil perdeu o vínculo com a ideologia e passou a ser guiada por cálculos eleitorais. A declaração foi feita em entrevista à rádio Pop FM, ao comentar a dificuldade do PSB em montar chapas competitivas para deputado federal e estadual diante da saída de parlamentares e lideranças da legenda.
“Antigamente se fazia política pela ideologia, pela identidade que você tinha com determinado partido e por aquilo que o partido defendia. Infelizmente hoje em dia as coisas viraram mais matemática. As pessoas analisam se têm chance naquele lugar, se não tiver mudam para outro partido onde acham que têm mais chance de se eleger”, afirmou o governador.
A fala ocorre em meio a uma reconfiguração interna do PSB na Paraíba. O partido enfrenta uma debandada de quadros importantes, o que tem dificultado a formação da nominata para as eleições de 2026. Entre os casos mais recentes está a saída de Jhony Bezerra, pré-candidato a deputado federal, que deixou o PSB para comandar o Avante. Há ainda a possibilidade de saída de Ricardo Barbosa e Gervásio Maia.
Já na esfera estadual, o cenário é igualmente desafiador. O deputado Júnior Araújo já comunicou que deixará o PSB, enquanto Tião Gomes desistiu de disputar a reeleição. Além disso, o deputado Hervázio Bezerra também deve se desfiliar do partido, agravando o quadro de enfraquecimento da chapa proporcional.
Apesar das dificuldades, João Azevêdo evitou ataques diretos aos parlamentares que decidiram deixar a legenda, mas deixou claro que vê com preocupação o enfraquecimento do compromisso partidário e ideológico no atual sistema político.
