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Michel Henrique admite impasse e adia definição sobre palanque ao Governo do Estado

O deputado estadual Michel Henrique (Republicanos) admitiu, nesta sexta-feira (16), viver um dos momentos mais delicados de sua trajetória política ao tratar da definição sobre qual projeto apoiará na disputa pelo Governo da Paraíba em 2026. Segundo o parlamentar, a decisão o coloca “entre a cruz e a espada”, diante de pressões contraditórias dentro e fora de seu campo político.

Eleito em 2022 pela oposição, integrando o palanque de Pedro Cunha Lima (PSD), Michel Henrique mudou de rota nos últimos meses e passou a integrar a base do governador João Azevêdo (PSB). A aproximação com o Palácio da Redenção, no entanto, abriu um novo flanco de tensão: enquanto setores do Republicanos e lideranças do interior defendem a continuidade no governo e o apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro (PP), aliados políticos de João Pessoa pressionam por um reposicionamento ao lado do prefeito Cícero Lucena (MDB), no campo oposicionista.

Ao conceder entrevista à Rádio CBN, o deputado reconheceu a complexidade do cenário e afirmou que há divergências internas relevantes em seu grupo político. Parte da militância e dirigentes municipais já se manifestou favorável à permanência na base governista, avaliando que a aliança com o Executivo estadual garante maior capilaridade no interior e acesso à estrutura administrativa.

O impasse se agrava em Monteiro, principal reduto eleitoral de Michel Henrique. No município, ele terá como adversária direta na disputa pela Assembleia Legislativa a ex-prefeita Anna Lorena (PSB), ligada politicamente ao governador e histórica rival de sua família. O grupo da ex-gestora já declarou apoio a Lucas Ribeiro, além de concentrar influência sobre cargos e espaços administrativos do Governo do Estado na cidade.

Esse cenário impõe um custo político elevado ao deputado. Mesmo sinalizando inclinação para permanecer na base governista, Michel Henrique deixou claro que não pretende dividir palanque com Anna Lorena. “Vai ter que ter dois palanques”, afirmou, ao indicar a possibilidade de estruturas políticas paralelas no município caso a aliança estadual seja mantida.

Segundo o parlamentar, a decisão final deverá ser tomada nos próximos 40 dias. Até lá, ele pretende intensificar o diálogo com a direção do Republicanos, lideranças do interior e aliados da capital, buscando uma saída que minimize perdas eleitorais e preserve sua competitividade em 2026.

Enquanto o relógio político avança, Michel Henrique calcula riscos e benefícios de cada movimento. Permanecer na base pode assegurar musculatura no interior, mas aprofunda conflitos locais estratégicos. Retornar à oposição fortalece pontes em João Pessoa, mas pode fragilizar sua sustentação em regiões onde o governo exerce maior influência.

Qualquer que seja a escolha, o desfecho do impasse tende a reverberar não apenas na formação dos palanques ao Governo da Paraíba em 2026, mas também na correlação de forças da disputa pela Assembleia Legislativa, com Monteiro despontando como um dos principais campos de batalha eleitoral.

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