Análise: Cartaxo surpreende, mais uma vez, na capacidade de articulação

O saldo geral das convenções partidárias, revelando a força de cada coligação, repete um quadro mais ou menos semelhante ao do período pré-eleitoral de 2016 em João Pessoa. Ao final, trabalhando em silêncio, os Cartaxo acabam surpreendendo.

Vale lembrar que, antes das convenções de 2016, muito se divulgou de que o prefeito Luciano Cartaxo poderia ficar isolado, sem atrair apoios dos grandes partidos e que correria o risco de não ser reeleito.

Ocorreu exatamente o contrário. Bem antes, vislumbrando o quadro lá na frente, Cartaxo deixou o PT, optou pelo PSD, e terminou conquistando alianças importantes com o PSDB, PP e PMDB, entre outros, garantindo a reeleição no primeiro turno.

Pois algo semelhante – e talvez até de maior grandeza – ocorreu agora no processo de definição das alianças partidárias.

Primeiro, numa jogada inesperada, os Cartaxo trocaram o PSD pelo PV e passaram a ter o controle de um partido.

Depois, num ato bastante ousado, apresentaram a pré-candidatura de Lucélio Cartaxo a governador, após firmarem entendimento com o prefeito Romero Rodrigues e, em seguida, com todo o PSDB.

Mas, a partir daí, foram levantados todos os tipos de dúvidas da possibilidade de Lucélio consolidar sua candidatura e construir uma aliança capaz de tornar o projeto eleitoral viável.

E não foram somente dúvidas. Foram intensos os boatos espalhados por parte da mídia de que Lucélio desistiria da candidatura. Foram intensos os ataques do governador Ricardo Coutinho na tentativa de desestabilizar a candidatura de Lucélio. Foram persistentes os movimentos do senador José Maranhão na tentativa de atrair PSDB, PP e outros partidos e isolar o PV.

Ao final, o poderoso rolo compressor do governador não esmagou a aliança de Lucélio e a propalada expertise de Maranhão não funcionou. Os Cartaxo confirmaram a aliança com o PSDB, suportaram os ataques de Ricardo ao PSD e de Maranhão ao PSC e tiraram a “noiva” Daniella Ribeiro (leia-se PP) dos braços dos girassóis quase na porta da igreja.

O resultado é que Lucélio Cartaxo disputará o governo ancorado em uma frente partidária de respeito, com tanto tempo de televisão quanto o candidato da situação e com reais possibilidades de vencer a disputa.

O que parece ficar provado é que, sem alardes, os Cartaxo demonstram mais uma vez grande capacidade de articulação e aglutinação política. Bom não duvidar do resto.

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